Oriental russa

Mandarin Oriental Hotel Group and its affiliates (collectively, MOHG) are not affiliated with Olapic Inc (Olapic). MOHG is not responsible in any way for the content of the Olapic's website and MOHG makes no representation, warranty or guarantee of any king regarding Olapic. On the off chance that you discover a mistake don't enable yourself to be deceived. Hand-knotted oriental rugs come from different nations including, Iran, Afghanistan, Pakistan, India, China and Russia. The most sophisticated ones are Persian rugs from Iran. What sorts of oriental rugs are there? There is an extremely wide scope. Oriental Review (Russia) 152 articles. English 47 italiano 15 Português 14 Español 20 عربي 2 français 21 日本語 1 Deutsch 19 فارسى 3 polski 3 русский 1 čeština 2 ... The upcoming draft proposal to legalize private military companies (PMCs, a.k.a. “mercenaries”) in Russia could give the country a competitive edge over its rivals by helping it carve out a valuable and much-demanded niche as a reliable security provider, thus enabling it to later leverage its strategic advantage to reap energy, mineral, economic, and other “rewards” in incentivizing ... How many Asians live in Russia. According to the 2010 Russian Census, there are 193 ethnic groups in Russia. The following is a list of the ten most populous ethnic (traditionally accepted) Asians ... One of the reasons for that is a demographic situation in Russia. There are more women than men and it means that there are no available partners for some women. Another reason is the lack of worthy men. Most of the contemporary Russian ladies are well-educated, independent, and self-sufficient and they want to find compatible partners. Resposta: A Igreja Ortodoxa Oriental não é apenas uma igreja, mas um grupo de 13 igrejas independentes cujos nomes variam de acordo com as suas localidades (ex: a Igreja Ortodoxa grega, Igreja Ortodoxa Russa, etc.). Todas estão de acordo com os sacramentos, doutrinas, liturgia e governo da igreja, mas cada uma cuida de seus próprios interesses. Russia is far more interested in the Asia-Pacific than it is in the Indian Ocean or the Indian subcontinent — considering its engagement with not only China but also with Japan, the two Koreas, the US (as a Pacific power) and with the security of the Far East. Em julho de 2020, o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, foi instado pelos senadores dos EUA a impor sanções à Turquia por suas ações na região do Mediterrâneo Oriental. Parece que a Turquia não tem intenção de se livrar dos sistemas de mísseis russos por enquanto. E, felizmente, o S-400 Triumf continuará a alcançar novos ... It is now politically incorrect to use the word “Oriental,” and the admonition has the force of law: President Obama recently signed a bill prohibiting use of the term in all federal documents.

Rússia pode estar mais avançada do que imaginamos em vacinas

2020.08.12 01:52 pedceron Rússia pode estar mais avançada do que imaginamos em vacinas

O registro de uma vacina ao final da fase II de estudos clínicos como "aprovada" foi jogada de marketing do governo russo. A própria vacina de Oxford concluiu a fase II antes. Eles precisam mostrar os resultados dos estudos e ainda falta a fase III de ensaios clínicos (prometeram publicar os resultados da fase II ainda em agosto).
Mas talvez estejamos subestimando o desenvolvimento científico russo em pesquisas virais. Fiquei com a impressão que eles podem realmente estar bem a frente na tecnologia de uso de vetores de adenovirus em vacinas.
Segue trecho da entrevista do presidente do Fundo Russo de Investimentos Diretos (órgão que financia a vacina russa), Kirill Dmitriev, no site Sputnik.
Desde a década de 1980, o Centro Gamaleya tem liderado o esforço para desenvolver uma plataforma tecnológica usando adenovírus, encontrados em adenoides humanos e normalmente transmitindo o resfriado comum, como "vetores" ou veículos que podem induzir material genético de outro vírus dentro de uma célula.
O gene do adenovírus que causa a infecção é removido, enquanto um gene com o código da proteína de outro vírus é inserido. Tal elemento inserido é pequeno e é uma parte não perigosa de um vírus, sendo segura para o corpo, mas ajuda o sistema imunológico a reagir e produzir anticorpos que nos protegem da infecção.
A plataforma tecnológica de vetores baseados em adenovírus torna a criação de novas vacinas mais fácil e rápida, através da modificação do vetor transportador inicial com o material genético de novos vírus emergentes.
Tais vacinas geram uma grande resposta do corpo humano com o intuito de criar imunidade, enquanto o processo total de modificação vetorial e a produção em escala piloto demora poucos meses.
Os adenovírus humanos são considerados dos mais fáceis para modificar desta maneira, portanto, eles se tornaram vetores muito populares. Desde o início da pandemia da COVID-19, o que os pesquisadores russos tiveram que fazer foi apenas extrair um gene codificador da espiga do novo coronavírus e o implantar dentro de um vetor adenoviral familiar para o colocar em uma célula humana.
Eles decidiram usar esta tecnologia já comprovada e disponível ao invés de entrar por um território desconhecido.
Os estudos mais recentes indicam que apenas duas doses da vacina são necessárias para criar uma imunidade prolongada.
Desde 2015, pesquisadores russos têm trabalhado no modelo de dois vetores, daí a ideia de usar dois tipos de vetores adenovirais, Ad5 e Ad26, na vacina contra a COVID-19.
Desta forma, eles enganam o corpo, que desenvolveu imunidade contra o primeiro tipo de vetor, e impulsionam o efeito da vacina com a segunda dose usando um vetor diferente.
De modo comparativo seria como dois trens que tentam levar uma carga importante a uma fortaleza do corpo humano que necessita da entrega para produzir anticorpos. Você precisa do segundo trem para ter certeza de que a carga chegará a seu destino. Tal trem deverá ser diferente do primeiro, o qual já foi submetido ao ataque do sistema imunológico do corpo e já é conhecido deste. Desta forma, enquanto os outros desenvolvedores de vacinas possuem um trem, nós temos dois.
Usando o método de dois vetores, o Centro Gamaleya também desenvolveu e registrou uma vacina contra o Ebola.
Tal vacina tem sido usada por milhares de pessoas nos últimos anos, criando uma plataforma vacinal comprovada que foi usada para a vacina da COVID-19.
Cerca de 2.000 pessoas na Guiné receberam injeções das vacinas do Centro Gamaleya em 2017-18, enquanto o mesmo possui uma patente internacional para sua vacina contra o ebola.
Método de dois vetores
O Centro Gamaleya usou vetores adenovirais para desenvolver vacinas contra influenza e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS, na sigla em inglês).
Ambas as vacinas estão atualmente em estágios avançados de testes clínicos. Tais conquistas mostram que os laboratórios russos não perderam seu tempo nas últimas décadas, enquanto a indústria farmacêutica internacional frequentemente subestimou a importância da pesquisa de novas vacinas na ausência de ameaças globais à saúde antes da pandemia da COVID-19.
Outros países decidiram seguir nossos passos desenvolvendo vacinas baseadas em vetores adenovirais.
A Universidade de Oxford, Reino Unido, está usando um adenovírus de um macaco, o qual nunca foi usado antes em uma vacina aprovada, ao contrário dos adenovírus humanos.
A companhia americana Johnson & Johnson está usando o adenovírus Ad26 e a chinesa CanSino o adenovírus Ad5, os mesmos vetores usados pelo Centro Gamaleya, mas eles ainda terão de dominar a técnica de dois vetores. Ambas as companhias já receberam grandes quantidades de encomendas de vacinas de seus governos.
O uso de dois vetores é uma tecnologia única, desenvolvida pelos cientistas do Centro Gamaleya, o que diferencia a vacina russa de outras vacinas vetoriais de adenovírus em desenvolvimento ao redor do mundo. É válido ressaltar que vetores adenovirais possuem claras vantagens sobre outras tecnologias, como as vacinas mRNA.
As futuras vacinas mRNA, ainda sob testes clínicos nos EUA e em outros países, não usam vetores como transporte e representam uma molécula RNA com um código de proteína de coronavírus envolto em uma membrana lipídica. Tal tecnologia é promissora, mas seus efeitos colaterais, especialmente os impactos na fertilidade, não foram estudados em profundidade.
Nenhuma vacina mRNA recebeu por enquanto qualquer aprovação oficial no mundo.
Acreditamos que na corrida mundial por uma vacina contra o coronavírus, vacinas vetoriais adenovirais serão as vitoriosas, mas até mesmo nesta categoria a vacina do Centro Gamaleya está na frente.
Fonte: https://br.sputniknews.com/opiniao/2020081115937087-editorial-proibido-vacina-sputnik-como-salvadora-da-parceria-global/
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2020.04.30 11:16 lostorico Recensione a Ian Kershaw: All'inferno e ritorno. Europa 1914-1949.

Recensione a Ian Kershaw: All'inferno e ritorno. Europa 1914-1949.
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All’inferno e ritorno di Kershaw è senza dubbio la miglior introduzione alla storia d’Europa nella prima metà del ‘900. Dico introduzione non per svilire il libro a semplice manuale. Il libro è quanto mai ricco e documentato, ma essendo pensato per il lettore comune Kershaw dipana la trama in quasi 600 pagine di testo di piacevolissima lettura.
In All’inferno e ritorno non espone una tesi “forte” che funga da perno alla trattazione come nel caso del “Secolo breve” di Hobsbawm o del “Continente buio” di Mazawor. La scansione temporale riprende in sostanza l'”età della catastrofe” di Hobsbawm denominandola seconda guerra dei trent’anni.
Il libro è dominato, giustamente, dalla prima guerra mondiale e dalle sue conseguenze. Kershaw risolve l’annosa discussione sulle responsabilità del conflitto indicando le responsabilità di ogni singolo paese, anche se ritiene maggiori quelle della Germania. Da quel vulcano eruttante violenza e barbarie morali, nazionalismo, destabilizzazione geo-politica, economica e sociale l’Europa ne uscì inevitabilmente trasformata. L’A. sottolinea gli effetti distruttivi dello sviluppo tecnologico che poi, col perfezionarsi già nel corso del conflitto e soprattutto nei decenni successivi, avrebbe aperto le porte a futuri, immani massacri. E si sofferma con osservazioni perspicaci sugli effetti diretti e a lungo termine di una guerra che diventando sempre più spersonalizzata da un lato abituò chi vi prese parte alla morte, all’insensabilità e alla violenza (pp. 72 e ssgg.); dall’altro addomesticò lo popolazioni a lasciarsi privare più o meno completamente delle libertà civili e giuridiche con sorprendente facilità: la brutale disciplina imposta nelle trincee, lo sfruttamento draconiano della manodopera nelle fabbriche, l’imbavagliamento più o meno completo della stampa, furono elementi che abituarono le popolazioni a future restrizioni. Osservazioni puntuali riguardano l’uso strumentale del razzismo (che poteva assumere coloriture religiose, culturali o razziali o tutte assieme) da parte dei governi e della stampa, impegnati a presentare il proprio paese come depositario di un patrimonio di civiltà messo a repentaglio da avversari rozzi e culturalmente meno sviluppati.
La Grande Guerra fu anche, come è noto, la responsabile del crollo di quattro imperi e l’incubatrice della rivoluzione russa. Il vuoto lasciato dall’impero austro-ungarico fu occupato da una serie di stati deboli e instabili nei quali l’impianto della democrazia si rivelò di breve durata. In Russia la Grande Guerra fece da detonatore alla rivoluzione la quale, per affermarsi, dovette uscire vincitrice da una spaventosa, dilaniante guerra civile (7 milioni di morti) che avrebbe mandato in rovina l’economia del paese (p. 127).
Liberale di sinistra, Kershaw ha parole molto dure nei confronti di Lenin. Egli ritiene che le “caratteristiche [aberranti] del sistema bolscevico erano […] emerse quando Lenin era ancora in vita. Ciò che ne seguì fu la continuazione e la logica conseguenza del passato, non un’aberrazione” (p. 130). Vi sarebbe dunque un trait d’union tra Lenin e Stalin, il vincitore della faida interna dopo la morte di Lenin. Forse è un giudizio troppo duro, non tanto perché Lenin non fosse capace di essere estremamente duro, ma di sicuro non era era paranoico e sanguinario quanto Stalin e, soprattutto, riuscì a far sopravvivere una rivoluzione in un contesto e in una sequenza di avvenimenti spaventosi: l’arretratezza della Russia zarista, la Grande Guerra, e una guerra civile di quelle proporzioni e di quella durata non erano fenomeni governabili coi guanti di velluto. A cose fatte la NEP fu anche il riconoscimento di errori e di torti commessi nei confronti dei contadini (sulla Rivoluzione russa vedi anche Guido Carpi: Russia 1917. Un anno rivoluzionario e Angelo d’Orsi: 1917. L’anno della Rivoluzione).
In ogni caso, sebbene l’A. tenga costantemente presente le vicende sovietiche e le analizzi con sottigliezza (“una cosa fu subito chiara: la rivoluzione bolscevica era un avvenimento di portata storico-mondiale”, p. 96), il problema dell’Europa erano la Germania e l’Europa orientale (e in relazione ad esse l’atteggiamento delle potenze principali: Francia e Inghilterra). Già la guerra aveva dimostrato che la democrazia sarebbe sopravvissuta con relativa sicurezza solo negli stati nei quali affondava radici più profonde. In Inghilterra e in Francia “la legittimità dello Stato [non] fu mai messa seriamente in discussione” (p. 92). Dove i governi e le istituzioni non godevano della legittimità della maggioranza dei cittadini la democrazia era destinata a soccombere.
Dopoguerra
La Grande Guerra lasciò un continente in preda a convulsioni di ogni genere: oltre ai milioni di morti in battaglia e a quelli provocati dalla Spagnola, i mutilati erano 8 milioni e centinaia di migliaia coloro che avevano subìto traumi psichici. La riconversione dell’economia a una produzione di pace fu difficile: dove l’inflazione passò a iper-inflazione come in Austria, Polonia e Russia, vivere divenne complicato. Inizialmente in Germania l’inflazione fece da volano all’industria, ma quando nel 1923 andò fuori controllo provocò una tragedia sociale (pp. 113 e ssgg.).
Il tasso di violenza incubato durante il conflitto riemerse e si incarnò nelle camicie nere di Mussolini, nei Freikorps tedeschi e negli innumerevoli gruppi e gruppuscoli paramilitari composti da gente che non riusciva a reintegrarsi nella società e nutriva un profondo rancore verso tutti coloro che avversavano o non condividevano i valori per i quali avevano combattuto (generalmente pacifisti, militanti di sinistra ed ebrei)
Uno dei problemi cruciali fu che la sistemazione del continente escogitata a Versailles alla fine creò più problemi di quanti ne risolvesse. Il principio dell’autodeterminazione di Wilson si rivelò ben presto inapplicabile nell’Europa centrale e orientale dove etnie diverse si contendevano gli stessi territori: i compromessi trovati ridisegnando la cartina geografica di quelle zone finirono per inglobare popolazioni diverse all’interno di uno stesso stato: soluzioni che avrebbero alimentato malcontento e portato problemi in un futuro prossimo (per questi aspetti e in generale sul dopoguerra vedi: Robert Gerwarth La rabbia dei vinti).
In secondo luogo, per i paesi vincitori della guerra voler punire la Germania fino giungere all’umiliazione poteva avere senso per soddisfare la sete di vendetta di un’opinione pubblica inferocita, ma non per preservare la pace e la stabilità sul continente. Soprattutto, addossando la responsabilità del conflitto alla sola Germania creò un risentimento generalizzato in un paese che era stato fino a quel momento la principale potenza economica e tecnologica del continente ma che aveva anche un percorso storico non compiutamente democratico nel quale l’esercito aveva avuto una posizione cruciale, che considerava “la propria nazionalità in termini etnici [e] non territoriali” e le cui élites non riconoscevano fino in fondo il valore della democrazia occidentale scaturita dalla Rivoluzione francese o dal liberalismo (p. 221). Le riparazioni “furono per più di dieci anni un cancro annidato un cancro annidato nella politica tedesca” che mise il vento in poppa ai nazisti (p. 139) (sulla Repubblica di Weimar vedi anche Eric D. Weitz: la Germania di Weimar. Utopia e tragedia).
Un problema nel cuore dell’Europa: la Germania
Perciò la Repubblica di Weimar nonostante gli indiscutibili successi e nonostante l’A. ritenga che nei tardi anni Venti fosse sul punto di riuscire a sanare ferite ancora brucianti dovette sempre destreggiarsi con forze che miravano alla sua delegittimazione. E giustamente Kershaw indica il pericolo principale e fondamentale nella congerie di forze di destra più che nelle velleità rivoluzionarie della sinistra radicale (responsabile però di indebolire la sinistra nel suo complesso).
La destra estrema era già giunta al potere in Italia, un paese che, sebbene vincitore reagì con le modalità di un paese sconfitto, e altrove, ma l’Italia non aveva la forza per mettere a soqquadro l’Europa. Il problema era la Germania.
Quando sul continente arrivarono gli effetti del crollo di Wall Street, le convulsioni politiche sul continente europeo crebbero di intensità. La zona orientale era quasi completamente in mano a regimi reazionari o filo fascisti, i paesi mediterranei lo erano già da tempo o lo sarebbero diventati a breve, in Germania le devastazioni occupazionali, sociali ed economiche della crisi suonarono a morte per una Repubblica già consunta e Hitler ebbe la strada spianata al potere.
Le pagine che Kershaw dedica agli effetti economici e sociali della crisi del ’29 sono molto belle e convincenti. Dovrebbe far meditare la catastrofica decisione delle politiche di taglio alla spesa, contenimento dei costi e deflazione. Quelle politiche aggravarono la crisi piuttosto che contrastarla.
Un’interpretazione
Consapevole dei fraintendimenti e delle facili volgarizzazioni della categoria interpretativa del “totalitarsimo”, Kershaw distingue tra dittature “statiche” e dittature “dinamiche”. Nelle prime egli ingloba i paesi in cui i governi miravano al controllo e al dominio della società senza volerla alterare o modificare. Esempi di questo genere li indica nella Spagna, nel Portogallo e in buona parte dei regimi dell’Europa dell’Est.
Per dittature “dinamiche” invece Kershaw intende quei regimi che intendevano operare una rivoluzione profonda non solo controllando i cittadini limitandone la libertà, ma pretendendo di plasmare un uomo nuovo – come nel caso tedesco e sovietico – o di instaurare un regime “totalitario” come nel caso italiano. Un altro fattore che accomuna i tre dittatori era il loro ragionare in termini politici e non economici: in Unione Sovietica l’industrializzazione forzata si trasformò in un massacro per i contadini e in una devastazione per la produzione agricola (dalla quale l’URSS non si sarebbe più ripresa), le “purghe” staliniane seguirono una logica politica sebbene la decapitazione di cervelli di prim’ordine provocasse danni enormi in ambito economico e militarermania il processo di riarmo avvenne sganciando il paese dalle dinamiche dell’economia internazionale a favore di scambi bilaterali con questo o quello stato. L’idea di trasformare i cittadini in schiere di fedeli dediti alla causa o a rifondare la società era un’idea completamente antitetica a quelle delle democrazie tradizionali e assolutamente nuova (pp. 299-338). A ben guardare questa impostazione si avvicina all’opinione di Hobsbawm secondo il quale nell’Europa degli anni tra le due guerre le opzioni di adesione politica fossero ridotte alla scelta tra comunismo o fascismo.
L’arrivo al potere di Hitler – e il fallimento plateale e definitivo della Società delle Nazioni – chiarì a tutti che il pericolo di una nuova guerra era concreto. Il capolavoro politico di Hitler fu quello di presentare il riarmo della Germania non come pre-condizione ad una politica di espansione ma come riparazione di un torto subito da potenze che volevano tenerla in una condizione di inferiorità.
Il problema era che Francia e Inghilterra si trovarono di fronte ad un interlocutore che non ragionava affatto come loro. Portando la Germania fuori dai normali circuiti internazionali sia nei rapporti politici che economici Hitler imboccò la strada che avrebbe portato alla guerra: la Germania aveva bisogno di “uno spazio vitale” per espandere la propria economia e questo combaciava perfettamente anche con la ossessione razzista e la contrapposizione ideologica frontale dei nazisti verso i sovietici. Il fallimento della strategia dell’appaesement (“venire a patti con Hitler e intanto guadagnare tempo, pp. 369-70) e la cedevolezza continua di inglesi e francesi nei confronti delle crescenti pretese di Hitler ha una sua motivazione anche in questa incomprensione di fondo, oltre che agli incubi di una nuova guerra e al timore del comunismo.
Dentro alla seconda catastrofe
Il risultato di questo mix micidiale si sarebbe toccato con mano proprio nel corso della seconda guerra mondiale. Fu la parte orientale dell’Europa a pagare il prezzo più alto del razzismo biologico dei nazisti (talvolta sostenuto dalle popolazioni locali quando rivolto a ebrei o ad altre etnie), della loro strategia di disumano sfruttamento di persone e risorse e del loro anticomunismo viscerale (pp. 409 e ssgg). Così, ad esempio, lo sfruttamento degli ebrei rendeva bene fin tanto fossero stati in grado di lavorare, dopo li si poteva eliminare; ma,fatto spaventoso e inedito, “la guerra in oriente ebbe un carattere schiettamente genocidario” (p. 419). Per gli ebrei fu fatale il fallimento dell’invasione dell’URSS: inizialmente i nazisti avevano previsto di spostarli lì; la mancata invasione accelerò il processo di sterminio che era comunque già iniziato (pp. 423-24).
In generale i nazisti fecero due errori fatali. In molte zone dell’Europa orientale l’anticomunismo era profondo e radicato, ma i pregiudizi razziali impedirono ai nazisti di farvi leva per procurarsi alleati che avrebbero potuto essere preziosi. Il secondo, soprattutto nell’Europa occidentale fu che il loro atteggiamento costringeva le popolazioni a violare le regole per sopravvivere mentre il bisogno di manodopera e i seguenti rastrellamenti finivano per alimentare la Resistenza che si andava organizzando (pp. 452-455).
Ma Kershaw dà anche spazio alle conseguenze dei bombardamenti alleati e sulla brutalità delle truppe sovietiche nella loro avanzata verso Berlino e in generale all’accrescere del tasso di violenza degli ultimi mesi del conflitto. I tedeschi resistettero fino all’ultimo perché consapevoli delle vendette che li aspettava. Quella tedesca è solo una tra le reazioni alla guerra: i sovietici la condussero fino in fondo perché Stalin fu capace di trasformarla in guerra patriottica e videro cosa li attendeva se l’avessero persa; i polacchi la combatterono in vista di uno Stato futuro; gli inglesi la combatterono per un futuro di pace e, per i soldati provenienti dai dominions, di prossima indipendenza.
Dopoguerra
La fine della guerra sancì la fine del fascismo come progetto politico credibile e l’Europa ne emerse nuovamente ridisegnata e suddivisa in due blocchi distinti e contrapposti. Nell’Europa Occidentale il protezionismo e il nazionalismo economico vennero accantonati a favore della cooperazione internazionale: “le lezioni erano state apprese” (p. 478).
Un altro elemento fondamentale affrontato dall’A. è la nascita del welfare state nella parte occidentale dell’Europa post-bellica. Riconoscimento dovuto agli immani sacrifici patiti dalle popolazioni durante il conflitto, certamente, ma anche deterrente nei confronti della capacità di attrazione dei partiti comunisti e socialisti; una scelta politica precisa e voluta dunque. Senza che nessuno potesse immaginarlo, l’Europa occidentale si sarebbe incamminata verso decenni di prosperità e stabilità politica.
Naturalmente Kershaw affronta anche molti altri temi che qui non considero: dalla religione alla cultura, dallo sterminio degli ebrei ad alcuni problemi del dopoguerra. Ma ora che che crisi economica, palese malfunzionamento dell’Europa e razzismo si stanno ripresentando sulla scena, ho voluto soffermarmi su aspetti essenziali. Mi preme dire che sarebbe importante leggere e meditare a fondo le pagine di All’inferno e ritorno.
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2020.04.11 01:26 DivinaNunato Pandemia revela que mundo pós-ocidental já chegou

Historicamente, momentos de grande instabilidade geopolítica ― como guerras ou profundas crises econômicas ― costumam marcar o fim ou o início de uma época. Não necessariamente pela crise em si, mas por seu poder de revelar novas realidades que, em momentos de paz e estabilidade, não estavam facilmente visíveis. É quando se percebe, de maneira repentina, que arranjos antigos e modos de convivência articulados décadas antes se tornaram obsoletos.
Em 1898, por exemplo, a vitória dos Estados Unidos na guerra contra a Espanha em Cuba e nas Filipinas levou à perda das possessões espanholas nas Américas e no Pacífico ― mais importante do que isso, porém, o evento revelou algo que muitos analistas já sentiam, mas que não havia se manifestado tão claramente: os Estados Unidos, naquela época ainda com poder bélico limitado, estavam no processo de se tornar uma potência global. Ficou óbvio que os países europeus, a maioria dos quais tinha dado apoio diplomático à Espanha até o início das hostilidades, já não tinham como deter Washington.
Outro exemplo é a Crise de Suez em 1956, quando a atuação decisiva dos EUA revelou que a Europa já não controlava eventos no Oriente Médio. Enquanto Londres ainda se via como grande potência até então, eventos no Egito mostraram ao mundo que só havia duas potências globais ― os EUA e a União Soviética. Depois de Suez, nem os políticos mais patrióticos em Londres e Paris tinham como negar a dura realidade de que os europeus teriam de se contentar com seu status de potência de segunda classe.
Foi a crise financeira de 2008 que revelou que, embora os EUA ainda liderassem o mundo, o país já não tinha capacidade de resolver sozinho a maior instabilidade econômica desde a Segunda Guerra Mundial. O arranjo antigo, simbolizado pelo G7 ― grupo de cinco países europeus mais ricos, além dos EUA e do Japão ― cujos líderes até então tinham se reunido periodicamente para gerir a economia global, já não servia mais. Os BRICS, sobretudo a China, lideraram a resposta à crise, aumentaram suas contribuições financeiras ao FMI e os encontros anuais do G20 tornaram-se a principal plataforma para discutir o futuro da economia global.
O relativo declínio dos EUA no tabuleiro global, desde então, tornou-se visível em diversos momentos. Em 2014, o Governo Obama foi incapaz de ganhar o apoio da comunidade internacional em sua tentativa de isolar o Governo Putin depois da invasão e anexação russa da Crimeia ― algo que a Rússia dificilmente teria ousado fazer dez anos antes. Na sangrenta guerra na Síria, que produziu a maior crise migratória em décadas e desestabilizou a Europa, Washington nunca chegou a controlar eventos. Com a chegada de Trump, cuja eleição foi muito mais reflexo do que causa da erosão da hegemonia americana, os EUA retiraram-se dos três principais debates globais da atualidade: a liberalização do comércio, a crise migratória e a mudança global do clima. Mais recentemente, Trump fracassou no que talvez seja o maior legado da sua presidência: foi incapaz de demover a maioria dos seus principais aliados, entre eles o Reino Unido, de excluir a empresa chinesa Huawei da construção da rede de telecomunicação 5G, que dará um enorme poder à China na economia do século 21.
A resposta confusa e incoerente do Governo americano ao novo coronavírus ― que Micah Zenko, especialista de segurança internacional, chamou de “maior falha de inteligência na história dos EUA”, mostra que Washington não está preparada para assumir a liderança global na maior crise que a humanidade enfrenta atualmente. Em artigo intitulado The Death of American Competence, o professor de Harvard Stephen Walt escreveu recentemente que “a reputação de expertise de Washington tem sido uma das suas principais fontes de poder. O coronavírus provavelmente acaba com isso de maneira irreversível.” Pior, acumulam-se relatos de que o Governo americano está confiscando encomendas de máscaras e ventiladores chineses feitos por países aliados, entre eles a Alemanha e a França.
É provável que o Governo chinês não tenha compartilhado todas as informações sobre o número de vítimas no início da pandemia. Não se sustenta, porém, o discurso vitimista e conspiratório de Trump de que a China seja responsável pela resposta incoerente dos EUA. Afinal, tanto a Alemanha quanto a Coreia do Sul conseguiram, com informações publicamente disponíveis, articular estratégias muito mais eficazes do que Washington.
O fracasso retumbante dos EUA na resposta à pandemia tem um grande impacto para seu papel no mundo porque países não apenas se tornam grandes potências pelo poder militar que acumulam, mas também por sua capacidade de resolver problemas internacionais e prover bens públicos globais ― fundamentais para que sua liderança seja vista como legítima pela comunidade internacional. Consciente das limitações que seu sistema político autoritário impõe na tentativa de acumular soft power, o Governo de Pequim tem buscado prover cada vez mais bens públicos, como, por exemplo, enviando mais soldados para missões de paz da ONU do todos os outros membros permanentes do Conselho de Segurança juntos; tornando-se principal investidor e parceiro comercial na maioria dos países em desenvolvimento; e convertendo-se em maior investidor em tecnologia sustentável do mundo. A decisão de Pequim de doar equipamento médico a países ao redor do mundo, bem como sua capacidade de aumentar a produção de máscaras e ventiladores em meio à pandemia, é prova da ambição chinesa de preencher o vácuo de poder global deixado por Washington. Não parece haver dúvida de que será Pequim, e não os EUA, a principal fonte de financiamento para ajudar outros países a superar a recessão global que virá.
Levará anos para se poder avaliar as consequências geopolíticas da pandemia. Muito, porém, indica que ela será lembrada por historiadores como um “momento Suez” para os Estados Unidos ― revelando, de maneira inegável, que a comunidade internacional já não olha para Washington para resolver seus problemas mais urgentes. Além de acelerar o fim da liderança americana, a atual crise o revela de maneira mais nítida, tornando urgente o debate sobre como se adaptar ao mundo pós-ocidental.
Oliver Stuenkel é professor-adjunto de relações internacionais da FGV-SP
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2020.03.15 19:42 wolfsuper A Primeira Regra - Jeff Abbott

SINOPSE
Sam Capra nunca acreditou que o irmão tivesse sido assassinado às mãos de extremistas no Médio Oriente. Antigo operacional da CIA, Sam transformou-se num agente infiltrado de topo, e decide lançar a sua própria investigação. Mas a que ponto e com que propósito é que os seus contactos ainda lhe serão leais? Toda a informação tem um preço e a confiança pode ser um conceito volátil para alguns…
A busca desesperada pelo irmão levará Sam a uma versão moderna do coração das trevas: o círculo privado da elite russa, oligarcas implacáveis, com a escola do KGB, que juraram fidelidade a Morozov, o corrupto presidente da Rússia. No fio da navalha, não passam de peões no xadrez global a que Morozov se dedica, e agora um destes homens quer ver-se livre do novo czar. Estará Danny envolvido na conspiração? No que se terá tornado?
Desde os bairros de lata do Paquistão, passando pelos parques de diversão privados dos super-ricos no Caribe, até uma sumptuosa cidade proibida em plena Moscovo, Jeff Abbott oferece-nos uma vez mais um thriller de leitura compulsiva, onde a página seguinte nunca é aquela por que estávamos à espera..
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2020.02.18 23:56 wolfsuper As provadoras de Hitler - Rosella Postorino

SINOPSE
Prússia Oriental, outono de 1943. Hitler esconde-se na Wolfsschanze – a Toca do Lobo –, o seu quartel-general oculto na floresta. As perspetivas de vencer a guerra começam a esboroar-se e os seus inimigos aproximam-se cada vez mais. Dez mulheres são escolhidas. Dez mulheres para provar a comida de Hitler e protegê-lo de ser envenenado. Rosa Sauer, de 26 anos, perdeu tudo para esta guerra. Os pais morreram e o marido luta na frente russa. Sozinha e sem dinheiro, Rosa toma a fatídica decisão de deixar Berlim devastada pelos bombardeamentos para morar com os sogros no campo, em busca de refúgio. Mas uma manhã, as SS vêm dizer-lhe que foi recrutada para ser uma das provadoras de Hitler: três vezes por dia, ela e nove outras mulheres são levadas para as proximidades da Wolfsschanze, para provar as refeições do Führer. Forçadas a comer o que pode matá-las, na atmosfera turva destes banquetes perversos, as provadoras e os militares das SS traçam alianças insólitas – mas o que é insólito quando se vive no limite? E quando, na primavera de 1944, chega ao quartel o tenente Ziegler, instaurando um clima de terror, um inesperado vínculo nasce entre ele e Rosa. Rosella Postorino atravessa o labirinto do desejo para nos contar a história excecional de uma jovem que se agarra à sua ânsia de saborear tudo, incluindo uma relação secreta com um tenente das SS. Apanhada do lado errado da História, até onde estará Rosa disposta a ir para sobreviver?
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2019.09.19 18:26 lostorico Recensione. Angelo d’Orsi: 1917. L’anno della Rivoluzione, Laterza, 2017.

Un anno cruciale il 1917. Un anno di avvenimenti seguiti mese per mese. Un anno che Anglo d’Orsi ha sezionato e esaminato a fondo. Anno cruciale, il 1917. Per la Russia, ovviamente, ma il titolo del libro è riduttivo. C’è molto di più, nel libro, della Rivoluzione russa.
“1917” poggia su due filoni principali. Il primo è la guerra: una guerra micidiale, devastante, che sembra destinata a non finire mai e che anzi, come Hobsbawm, l’A. vede come evento che dà inizio a una “Guerra dei Trent’anni”, finita soltanto con la sconfitta del fascismo e del nazismo. Il secondo, ovviamente, la rivoluzione russa. Quest’ultima sarebbe una sorta di filone secondario dato che è una conseguenza della guerra. Ma per la sua portata e per le forze che sprigiona finisce per imporsi come evento centrale nella storia del Novecento.
La guerra mette a nudo elementi che caratterizzano sia la condizione degli stati del tempo, sia fenomeni che si manifesteranno in futuro. Dalla narrazione, ben documentata, emerge in tutta la sua nettezza la distanza tra classi dirigenti e classi popolari inquadrate negli eserciti. Nel 1917 la stanchezza per la la guerra era diffusa su tutti i fronti. Oltre che in Russia, ammutinamenti si verificano in Francia e fenomeni consistenti di stanchezza sono registrabili anche in Germania. Sotto la spinta di quanto accade in Russia, governi e vertici militari cercano di correre ai ripari introducendo misure che migliorano le condizioni di vita delle truppe. In Italia si verifica la devastante rotta di Caporetto.
Se la tenuta degli eserciti può costituire il termometro per misurare il grado di integrazione delle masse nei rispettivi Stati, allora a superare la prova si salvano Inghilterra, Germania e, in misura minore, Francia. L’idea che le classi dirigenti italiane hanno dei “poveri fanti” emerge in tutta la sua nettezza: l’attività incessante dei tribunali militari, l’assoluta insensibilità di Cadorna e dei vertici dell’esercito verso i soldati che considerano i soldati nè più, nè meno come carne da macello, condannata da una guerra condotta con metodi spietati e combattuta con strategie fallimentari, sono descritte in pagine molto belle e coinvolgenti.
Ad evidenziarsi, soprattutto, è la progressiva affermazione della forza dei militari sui governi: le “misure emergenziali” si moltiplicano, la libertà di stampa si restringe, diventa impossibile manifestare qualunque pensiero minimamente critico davanti a quella che il Papa, ad agosto, inutilmente chiamerà “inutile strage”. E’ curioso, e qui i brevi paralleli che l’Autore traccia col presente sono illuminanti, che la motivazione ufficiale di combattere la guerra per la difesa della “civiltà” si traduca di fatto in una costante restrizione della democrazia e dei diritti individuali. Ed è un fenomeno che la classe politica non solo subisce, ma fa proprio. Lo dimostra la rivolta di Torino in agosto: una rivolta provocata dalla fame, dalla mancanza di pane, che governo e classi dirigenti locali assolutamente non comprendono. Buon per loro che quella rivolta, che potrebbe facilmente dilagare, non assume connotazioni politiche perché manca all’interno del partito socialista, sulla difensiva per gli attacchi continui e furibondi degli interventisti e per di più, anche se ufficialmente unito, in realtà diviso al proprio interno, chi sia in grado di dare uno sbocco politico al malcontento.
Cosa che, invece, si verifica in Russia dopo il ritorno di Lenin – capace di trovare una strada per arrivare ad una rivoluzione sia grazie alle sua capacità, frutto di logica ferrea, di afferrare gli eventi e di assecondarli, anche a costo di stravolgimenti della teoria ufficiale. Di fatto – mi pare – lo snodo decisivo si ha quando Lenin si rende conto che i poteri del Governo provvisorio e quello del Soviet non possono coesistere e che uno dei due deve essere sacrificato. È lì, in quella consapevolezza, l’accelerazione degli eventi che porteranno i bolscevichi al successo.
Costrette a subire una guerra micidiale e incomprensibile al fronte, ad alimentarla con turni di lavoro massacranti e senza diritti nelle fabbriche, le masse rivolgono allora le loro ansie, paure e timori al sovrannaturale. Nel quinto capitolo d’Orsi fa una bella dimostrazione di questo fenomeno esaminando il culto mariano di Fatima, solo apparentemente slegato e lontanissimo dalla guerra in corso, come fenomeno di consolazione collettiva.
Tanto più, e d’Orsi qui e là dissemina esempi significativi, che la guerra consente arricchimenti veloci e clamorosi di industriali e uomini d’affari: ingiustizie di un Paese che non riequilibra disparità e, anzi, arriva a premiare incompetenti e immeritevoli (come nel caso di Badoglio) e punisce, persino estraendo “a sorte” innocenti che poi fucila contro un muro come traditori.
Allora ci si pone interrogativi profondi. Se dopo Caporetto qualche provvedimento a favore dei soldati venne preso, altrettanto non si può dire del rapporto complessivo tra “paese legale” e “paese reale”. Si veda l’ipocrisia di D’Annunzio nel descrivere la fucilazione di soldati o quella di Mussolini che si erge a difensore dei combattenti e che, a guerra ancora in corso preconizza di fatto le prossime squadre fasciste. D’Orsi ha ragione quando scrive che “La genesi del movimento va, in certo senso, retrodatata al 1917, al dopo-Caporetto e al dopo-Rivoluzione bolscevica” (p. 231).
In fondo, la base su cui poggiano i due filoni del libro è la modernità che si affaccia nel nuovo secolo e che si annuncia in vario modo: con i progressi stupefacenti della tecnologia – che in guerra sono sinonimi di morte, di una morte meccanica, tecnologica e disumana, come quella che provocano sommergibili e aerei – si veda il bombardamento di Londra – e l’uso dei gas; con l’affinamento dell’intelligence – di cui fa le spese una donna spregiudicata e affascinante come Mata Hari; con la “ragion di stato” e le politiche che i paesi più forti impongono a quelli più deboli – come mostra l’Autore con gli esempi sul Medio Oriente (la cui destabilizzazione comincia allora ad opera degli inglesi), di Israele, o degli Stati Uniti, consapevoli degli spazi che la guerra sta aprendo a loro favore per esercitare un ruolo di primo piano nel futuro del secolo. O dei nemici della modernità, come dimostra l’accanimento della Chiesa cattolica contro la legislazione laica e progressista scaturita dalla rivoluzione messicana – accanimento vittorioso, anche se dopo decenni, ad Opera di Woytila e Ratzinger.
Con questo Anno rivoluzionario, d’Orsi ci ha regalato un gran bel libro, che si legge benissimo e avvince nonostante la densità e la quantità degli intrecci e delle considerazioni. 1917. L’anno della rivoluzione è un libro di qualità, che merita di essere letto.
PS: sul mio blog (Lo storico della domenica) ci sono recensioni a libri di Robert Gerwarth e Guido Carpi che possono essere confrontati a questo: buona lettura.
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2019.06.19 01:28 zedoidous Putin é o psicanalista da guerra.

https://www.facebook.com/100029259008065/posts/200112817640684/?sfnsn=mo
O que fez o grupo Globo admitir em editorial do jornal O GLOBO, que há um complô para destruir a Lava Jato e ainda apontou para a esquerda corrupta e para membros de direita que não aceitam perder as regalias? Eu gostaria de poder escrever de forma bem clara, mas vou bancar a bem educada porque meus textos vão muito longe, então vocês ressignifiquem a frase que escreverei entre aspas: "A Globo sentiu o membro rígido do Putin dando aquela cutucada marota nos países baixos." Se é ruim com o "opressor" Bolsonaro que aceita sem reagir a todas as bobagens que a imprensa e artistas daquela casa já falaram sobre ele, imaginem com a interferência direta da mão de ferro mais poderosa que temos no governo mundial? Os simpáticos socialistas brasileiros brincam com o perigo sem ter muita ideia do que significaria termos hoje a esquerda no poder. Vou dar uns exemplos para me fazer entender. Por que não se alcança a paz no Oriente Médio? Porque eles usam a cultura e a educação das escolas e de casa, para contarem as velhas histórias de quanto o povo vizinho merece ser odiado e mesmo perdendo filhos para a guerra, os pais continuam ensinando que a paz não deve chegar porque o inimigo não merece perdão. Mas não pensem que é só uma questão de cegueira ideológica, fanatismo religioso e disputa de território que os fazem agir desta forma repetitiva e perigosa, sempre que a tensão aumenta por lá, adivinha com quem os reis foram se aconselhar? Ninguém entra em guerra sem antes conversar com Vladimir Putin, ele é o psicólogo que oferece "bons conselhos", colocando Ocidente contra o Oriente e Judeus contra os árabes, para que naquele universo de caos a Rússia tenha mercado para vender armas e dê comida e remédios em troca dos barris de petróleo. É tanto poder que ele conseguiu fazer um acordo com a Arábia Saudita para que eles reduzissem a produção de petróleo e a Rússia não perdesse espaço na exportação! Que Rei bonzinho né? Em matéria do Jornal Gazeta do Povo Malik Dahlan, professor saudita de direito internacional e de política pública na Universidade Queen Mary de Londres, explica: "Putin está trabalhando como o psicanalista da região. Os russos estão felizes em ouvir todos os lados, e qualquer um que queira falar, eles ficam felizes em ouvir". Ainda na matéria: "O emir do Qatar inesperadamente voou para Moscou para se encontrar com Putin na véspera de sua visita a Washington. O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, um aliado próximo dos EUA, recusou um convite para Washington, mas viajou a Moscou em junho, sua sétima viagem em cinco anos, e assinou um acordo de "parceria estratégica" com Putin. O presidente do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, fez sua quarta visita a Moscou - comparado a apenas uma à Washington - e também assinou um acordo de parceria estratégica com Putin, marcando uma mudança significativa de um aliado americano em direção à Rússia." E para aproximar os exemplos, adivinha para quem Nicolás Maduro, presidente da destruída Venezuela, passou o direito da exploração do petróleo venezuelano? E nos bancos de qual país os membros desse governo transferiram seus bilhões? Os autoritários amam e confiam no senhor das guerras, Putin, porque ele é quem comanda a produção de armas que mantém os conflitos acesos e conosco não será diferente, nós também temos muito petróleo... Aí vai a Debi & Loid brasileiras fazer visita na Rússia pra pedir conselhos e fazer "acordos de cooperação"! E tem coisa pior: Têm brasileiro aplaudindo a interferência russa na nossa política e a chegada dos espiões russos por aqui, mas são os mesmos que reclamam da parceria do Brasil com os EUA que permitiu anericanos entrarem com mais facilidade em território nacional! Controversos ou inocentes? Quem aplaude não entende uma vírgula de geopolítica, não entendem história mundial e muito menos têm noção da riqueza do próprio país, aí fica difícil explicar o quão perigoso é esse namoro de brasileiros desinformados e mal intencionados com o presidente russo. Vocês não existem para ele, você e eu somos apenas um barril de petróleo para aquele homem, a diferença é que eu sei disso...
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2018.01.05 16:03 ssantorini O texto mais imparcial sobre o comunismo que eu já li até hoje. Explica como e porque o comunismo causava tantas mortes e não vingou no final.

Quando nos deparamos com textos ou comentários sobre o socialismo ou comunismo, é raro não haver algum viés, seja contra ou a favor do mesmo. Esse texto abaixo é um apêndice do "Livro das Coisas Horríveis", de Matthew White, um historiador que eu já gabei muito aqui por ter uma linguagem e estilo claro, conciso e acessível. Segue o texto:
Nunca confie em alguém que argumente contra o comunismo em teoria. Aqui nós temos uma das maiores experiências sociais da história fracassando espetacularmente; e, contudo, em vez de usar a prova óbvia, científica de que experimentamos o comunismo e que a coisa não funciona, algumas pessoas querem tomar o caminho mais longo, e argumentar sobre direitos e teorias de propriedade. É claro que elas não se importam se o comunismo funcionou ou não; é a teoria do comunismo que as incomoda, e elas teriam argumentos contrários mesmo que tudo houvesse funcionado perfeitamente.
O comunismo fracassou, mas isso é realmente uma grande coisa? Roma e os dinossauros também fracassaram, mas foram bem-sucedidos por muito mais tempo do que a maioria das outras espécies e instituições esperam existir. O comunismo durou mais do que o fascismo, o jazz, John Wayne, Bonanza e a American Motors Corporation. Infelizmente o problema do comunismo não é simplesmente não ter durado para sempre. O maior problema é que todo regime comunista da história matou uma enorme quantidade de membros de seu próprio povo. Se a história houvesse visto apenas uma ou duas dessas detestáveis repúblicas populares entre algumas outras decentes, eu poderia dizer que umas poucas maçãs podres trouxeram má fama a todo o movimento, mas como a morte e a destruição acompanharam cada um dos regimes comunistas, onde quer que se estabelecesse, deve haver alguma falha em algum lugar no sistema.
Falando de maneira geral, sempre houve cinco ondas de morticínios associadas a regimes comunistas:
1- Começava com uma guerra civil durante a qual rebeldes marxistas lutavam contra o controle de um brutal regime autoritário. Durante o primeiro estágio da mudança de regime, os comunistas eram geralmente preferíveis ao status quo. Ele educavam as pessoas. Compartilhavam as coisas. Davam assistência médica grátis. Distribuíam justiça real e imparcial ao arbitrarem as disputas. Nesse ínterim, os ditadores que eles tentavam derrubar saqueavam, estupravam e vendiam justiça a quem desse mais.
É interessante observar que o comunismo, como o fascismo, a lei da sharia estrita e outras formas de opressão, nunca derrubou uma democracia livre. O voto parece imunizar a sociedade contra o comunismo.
(Nota do OP: quando esse livro foi escrito, a ditadura venezuelana ainda não existia).
Depois que os expurgos faziam seu papel e a primeira geração de ideólogos morria, o regime comunista médio transformava-se numa burocracia preguiçosa, corrupta, que ia progressivamente afrouxando seu domínio sobre o povo, e por fim entregando o poder sem luta.
Nem todo regime comunista passou por esses cinco estágios. Alguns têm uma história mais simples, e alguns mais complicada. Em todos os regimes, houve também um persistente pano de fundo de mortes ocorridas em campos de trabalhos forçados e prisões. Para aqueles que preferem totais explicitados por país, aqui estão algumas estimativas razoáveis quanto ao número de pessoas que morreram sob regimes comunistas por execução, exaustão por trabalhos forçados, fome, limpeza étnica e fuga desesperada em barcos fazendo água:
(Esse total aproximado não inclui os 20 milhões de pessoas mortas nas guerras civis, que elevaram os comunistas ao poder, ou os 11 milhões que morreram em guerras por “procuração” durante a Guerra Fria. Ambos os lados provavelmente compartilham a culpa por essas mortes, até certo ponto. Essas duas categorias se sobrepõem, de certa forma, de modo que, quando se eliminam as duplicações, parece que cerca de 26 milhões de pessoas morreram por guerras inspiradas pelos comunistas.)
Considerando que o número agregado de mortos por causa do comunismo excede o total da Segunda Guerra Mundial, você pode ficar imaginando por que eu não coloco o comunismo como o número 1 da minha lista de coisas horríveis. Isso acontece principalmente porque considero cada regime como uma entidade separada, e o total do movimento comunista é amplo demais para ser contado como um único evento. Se eu juntasse todos os regimes comunistas para colocá-lo no topo da lista, teria de eliminar meus capítulos individuais sobre Mao, Stálin, Pol Pot e Kim Il-sung
Contrastando com os fracassos abissais comunistas na agricultura está seu sucesso geral na indústria pesada. Durante a era das grandes economias manufatureiras, quando o mundo moderno girava em torno de projetos gigantescos, como represas, usinas de força, minas de carvão e usinas de aço, os comunistas mobilizavam facilmente mão de obra e recursos suficientes para alcançar os países ricos do Ocidente. Isso significava dizer que os urbanóides com bastante sorte para sobreviver aos expurgos e à fome viam seus padrões de vida e expectativa de vida melhorarem constantemente
Entretanto, uma vez satisfeitas as necessidades básicas da vida, as economias de planejamento central mostraram-se inflexíveis demais para predizer e satisfazer as pequenas demandas por bens de consumo. Houve então excedentes desperdiçados, produtos de má qualidade e escassez. A escassez constante significava que apenas os que tinham boas ligações conseguiam adquirir bens e serviços. Isso fomentou ressentimento e cinismo num sistema que devia se basear no idealismo e solidariedade. O colapso do comunismo demorou ainda uma década porque as exportações de petróleo por parte da União Soviética bombearam dinheiro do Ocidente para a economia russa, depois que os preços do produto dispararam na década de 1970, mas depois até mesmo isso não adiantou. Logo que os reformadores permitiram que o povo escolhesse o sistema que preferia, ninguém escolheu manter o status quo.
TL;DR: É um texto mostrando as etapas pelas quais os regimes comunistas geralmente passavam, a causa das mortes, o total delas por cada causa, e o desfecho final destes regimes.
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2017.11.16 12:58 gabpac Olá! Sou o enviado especial do /r/brasil para o Oriente Médio, falando direto de Israel. PQC!

Olá, pessoal. Sou Redditor desde os tempos do Orkut e vivo em Israel faz mais de 20 anos.
Escrevo sobre política internacional, o Oriente Médio e Israel faz mais de 10 anos. Não trabalho como jornalista, mas já colaborei com alguns veículos brasileiros grandes, e vários pequenos. Tenho, junto com alguns colegas, um portal e um podcast sobre Israel e o OM. (www.conexaoisrael.org)
Desde a semana passada a região, que nunca foi conhecida pela estabilidade, começou a passar por algumas reviravoltas surpreendentes: mudanças de poder na Arábia Saudita, o Premier do Líbano abandonando o cargo, o início do fim da guerra na Síria, volta da influência russa no OM, tentativa de entrada do Irã na Síria, aparente abandono e desinteresse do ocidente nos problemas geopolíticos, guerra por procuração no Iêmen, plebiscito de independência do Curdistão, boicote da Arábia Saudita contra o Qatar... e até um terremoto.
Enfim, galera, PQC!
EDIT: Saí para uma caminhada agora. Tirei essa foto daqui: https://imgur.com/a/x3RxY
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2017.06.10 15:44 feedreddit O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA

O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA
by Naomi Klein via The Intercept
URL: http://ift.tt/2rM3USm
Durante a campanha presidencial, algumas pessoas achavam que os pontos mais abertamente racistas da plataforma de Donald Trump eram apenas uma estratégia para causar irritação, não um plano de ação concreto. Porém, na primeira semana de seu mandato, quando ele vetou a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, a ilusão logo foi desfeita. Felizmente, a reação foi imediata: marchas e protestos em aeroportos, greves de taxistas, manifestações de advogados e políticos locais. Por fim, o veto foi considerado ilegal pela Justiça americana.
Esse episódio mostrou a força da resistência e a coragem da Justiça; havia muito o que comemorar. Alguns chegaram a dizer que essa primeira derrota havia disciplinado Trump, que a partir de então seguiria uma rota mais convencional e racional.
Outra perigosa ilusão.
É verdade que muitos dos itens mais radicais da agenda do governo ainda não foram realizados. Mas não se enganem; ele não abandonou seus projetos. Eles estão bem guardados, à espreita, e uma grande crise pode trazê-los à tona.
Grandes choques costumam ser aproveitados para nos empurrar goela abaixo medidas impopulares e antidemocráticas a favor dos grandes empresários que jamais seriam aprovadas em tempos de estabilidade. É a “Doutrina do Choque”, nome que utilizei para descrever esse fenômeno. Ela foi utilizada repetidamente nas últimas décadas, seja por ditadores como Augusto Pinochet ou por presidentes americanos, como no caso do furacão Katrina.
Vimos a Doutrina do Choque em ação recentemente, antes da eleição de Trump, em cidades americanas como Detroit e Flint, onde a falência financeira do município foi usada como pretexto para dissolver a democracia local e nomear “gestores emergenciais”, que declararam guerra aos serviços e educação públicos. O mesmo está acontecendo em Porto Rico, onde a crise da dívida foi a desculpa utilizada para a criação do Conselho de Gestão e Supervisão Financeira, uma entidade que, sem precisar prestar contas a ninguém, tem o poder de implementar medidas de austeridade como cortes previdenciários e fechamento de escolas. A mesma tática está sendo usada no Brasil, onde, após o bastante questionável impeachment da presidente Dilma Rousseff, instalou-se um regime ilegítimo e ferventemente pró-empresariado. Entre as medidas adotadas estão o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e o leilão de aeroportos, usinas de energia e outros ativos públicos, em um verdadeiro frenesi privatizante.
Como escreveu Milton Friedman, muitos anos atrás, “apenas uma crise – real ou presumida – produz mudanças. Quando uma crise ocorre, as medidas adotadas dependem das ideias presentes na paisagem política. Esta é a nossa função primordial: desenvolver alternativas às políticas existentes, mantendo-as ao alcance da mão até que o politicamente impossível se torne politicamente inevitável”. Certos alarmistas estocam comida enlatada e água para o caso de um grande desastre natural; outros estocam ideias espetacularmente antidemocráticas.
Agora, como muitos já perceberam, a história está se repetindo com Donald Trump. Durante a campanha, ele não disse a seus admiradores que iria cortar verbas de programas de fornecimento de alimentos a pessoas necessitadas. Ele também nunca admitiu que iria tentar tirar o plano de saúde de milhões de americanos ou adotar cada uma das medidas sugeridas pelo grupo Goldman Sachs. Não, ele disse o contrário de tudo isso.
Desde que assumiu a presidência, Donald Trump não fez o menor esforço para dissipar a atmosfera de caos e crise. Algumas turbulências, como o dossiê russo, surgiram contra a sua vontade ou por pura incompetência, mas muitas delas parecem ter sido deliberadamente fabricadas. Em todo caso, enquanto estamos distraídos pelo espetáculo Trump, ávidos por notícias sobre suas supostas crises conjugais ou globos luminosos, seu projeto de concentração de renda segue em frente, metódico e silencioso.
A velocidade das mudanças também contribui para isso. Com o tsunami de decretos presidenciais assinados nos 100 primeiros dias do governo de Trump, logo ficou claro que seus assessores estavam seguindo o conselho dado por Maquiavel em O Príncipe: “As injúrias devem ser feitas todas de uma vez, de forma que, sendo menos saboreadas, causem menos ofensa”. A lógica é simples: é mais fácil resistir a mudanças graduais e contínuas; se as transformações acontecem de uma só vez, a população não consegue se organizar para lidar com todas ao mesmo tempo, acabando por engolir o sapo.
Mas tudo isso não passa de uma versão light da Doutrina do Choque; é o máximo que Trump pode fazer com as pequenas crises que ele mesmo cria. Embora seja necessário denunciar e resistir ao que está sendo feito agora, também deveríamos nos preocupar com o que Trump fará quando puder se aproveitar de uma verdadeira crise. Talvez seja um _crash_econômico, como a crise das hipotecas _subprime_de 2008; ou uma catástrofe natural, como a Supertempestade Sandy; ou então um terrível ataque terrorista, como o atentado a bomba de Manchester. Qualquer uma dessas crises poderia alterar radicalmente a conjuntura política, transformando subitamente o que hoje parece improvável em algo inevitável.
Vamos analisar alguns cenários de choques possíveis, e como eles poderiam ser utilizados para tornar realidade a nociva agenda de Donald Trump.
Policiais se juntam ao público em St Ann’s Square, em Manchester, para observar as flores e mensagens em homenagem às vítimas do atentado de 22 de maio na Manchester Arena. (31 de maio de 2017)
Foto: Oli Scarff/AFP/Getty Images

Choque terrorista

Os recentes atentados em Londres, Manchester e Paris nos dão um indício de como o governo Trump tentaria explorar um grande ataque terrorista contra os EUA em seu próprio território ou no exterior. Depois do terrível atentado a bomba de Manchester, no mês passado, o governo conservador inglês lançou uma campanha feroz contra o Partido Trabalhista e Jeremy Corbyn, por este ter sugerido que o fracasso da “Guerra ao Terror” estaria alimentando o terrorismo. As declarações de Corbyn foram qualificadas de “monstruosas” – uma atitude muito parecida com a retórica “ou vocês estão conosco, ou com os terroristas” usada por George W. Bush após o ataque de 11 de Setembro de 2001. Para Donald Trump, o atentado foi consequência das “milhares e milhares de pessoas que estão entrando em vários países”, embora o terrorista – Salman Abedi – tenha nascido no Reino Unido.
Da mesma forma, logo após o atentado de Westminster, em março 2017, quando um motorista jogou um carro contra uma multidão de pedestres, matando quatro e deixando dezenas de feridos, o governo conservador logo declarou que a privacidade das comunicações digitais era uma ameaça à segurança nacional. A ministra do Interior, Amber Rudd, disse em um programa da BBC que a criptografia de programas como o Whatsapp era “totalmente inaceitável”. Ela afirmou estar negociando a “colaboração” das grandes empresas de tecnologia, para que elas forneçam ao governo um acesso especial a essas plataformas. Depois do atentado da London Bridge, ela voltou a atacar a privacidade na internet de forma ainda mais veemente.
De maneira ainda mais preocupante, depois dos atentados de Paris, em 2015 – que deixaram 130 mortos –, o governo de François Hollande declarou o estado de emergência na França, proibindo manifestações políticas. Estive na França uma semana depois daqueles horríveis acontecimentos e não pude deixar de estranhar o fato de que, embora os ataques tenham sido perpetrados contra os símbolos da vida parisiense cotidiana – um show, um estádio de futebol, restaurantes etc. –, apenas a atividade política nas ruas havia sido proibida. Grandes shows, mercados natalinos e eventos esportivos – alvos perfeitos para futuros atentados – continuaram funcionando normalmente. Nos meses seguintes, o estado de emergência foi repetidamente prolongado. Ele ainda está em vigor e deve durar pelo menos até julho de 2017. Na França, o estado de exceção virou a regra.
Isso foi feito por um governo de centro-esquerda em um país com uma longa tradição de greves e manifestações. Só uma pessoa ingênua acreditaria que Donald Trump e Mike Pence não aproveitariam um ataque terrorista nos EUA para ir ainda mais longe. A reação seria imediata, declarando manifestantes e grevistas que bloqueassem rodovias e aeroportos – os mesmos que reagiram ao veto à entrada de muçulmanos – uma ameaça à “segurança nacional”. Os líderes dos protestos seriam alvo de rigorosa vigilância e jogados na prisão.
Temos que nos preparar para o uso de crises de segurança como pretexto para intensificar a criminalização de grupos e comunidades que já estão na mira do governo: imigrantes latinos, muçulmanos, líderes do movimento Black Lives Matter, ativistas ambientais e jornalistas investigativos. Essa é uma possibilidade concreta. Em nome da luta contra o terrorismo, o secretário de Justiça, Jeff Sessions, poderia finalmente acabar com a supervisão federal das policias estaduais e municipais, favorecendo a impunidade nos casos de abuso policial contra negros e outras minorias.
E não há nenhuma dúvida de que o presidente se aproveitaria de um atentado terrorista para atacar o Judiciário. Ele deixou isso bem claro ao escrever em sua conta no Twitter, após a suspensão judicial do veto migratório: “Como um juiz pode colocar nosso país em risco? Se algo acontecer, a culpa será dele e do sistema judicial”. Na noite do atentado da London Bridge, no dia 3 de junho, ele foi ainda mais longe: “O Judiciário tem que nos devolver os nossos direitos. Precisamos do veto de entrada como uma segurança extra!” No contexto de histeria coletiva e revolta que se instalaria depois de um ataque terrorista em solo americano, talvez os juízes não tenham a mesma coragem para barrar uma nova proibição à entrada de muçulmanos nos EUA.
Nesta foto tirada em 7 de abril de 2017 pela marinha americana, no Mar Mediterrâneo, o contratorpedeiro USS Porter (DDG 78) lança um míssil Tomahawk contra uma base aérea síria. O bombardeio foi uma retaliação a um terrível ataque com armas químicas realizado naquela mesma semana.
Foto: Mass Communication Specialist 3rd Class Ford Williams/U.S. Navy via AP

Choque bélico

A reação mais exagerada e letal de um governo a um ataque terrorista é se aproveitar do clima de medo para declarar guerra a outro(s) país(es). Não importa se o alvo não tem nenhuma relação com o atentado terrorista em questão; o Iraque não tinha nada a ver com o 11 de Setembro, mas foi invadido mesmo assim.
Os alvos mais prováveis de Trump estão no Oriente Médio, incluindo países como Síria, Iêmen, Iraque e, principalmente, Irã. Outro inimigo em potencial é a Coreia do Norte, sobre a qual o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que “estamos abertos a todas as opções”, se recusando a descartar a possibilidade de um ataque preventivo.
Os colaboradores mais íntimos de Trump – principalmente aqueles oriundos do setor de defesa – têm diversas razões para apoiar mais ações militares. O lançamento de mísseis contra a Síria em abril de 2017 – realizado sem a aprovação do Congresso e, portanto, ilegal, segundo alguns especialistas – rendeu-lhe a cobertura midiática mais positiva de seu mandato até então. Os assessores mais próximos do presidente aproveitaram para declarar que o ataque era uma prova de que não havia nada de indecoroso nas relações entre a Casa Branca e a Rússia.
Mas há uma outra razão, menos evidente, para usar uma crise de segurança como desculpa para entrar em guerra: essa é a maneira mais rápida e eficaz de forçar um aumento no preço do petróleo, principalmente se o conflito prejudicar o fornecimento global da commodity. Isso traria grandes vantagens para gigantes como a Exxon Mobil, cujos lucros diminuíram drasticamente com a queda do preço desse produto. Feliz coincidência para a Exxon: Rex Tillerson, antigo diretor-executivo da empresa, é o atual secretário de Estado dos EUA. Tillerson trabalhou na Exxon durante praticamente toda a sua carreira – 41 anos; ao se aposentar, ele fechou um acordo com a empresa para receber espantosos US$ 180 milhões.
Além de empresas como a Exxon, talvez o único beneficiado com um aumento do preço do petróleo advindo da instabilidade global seria a Rússia de Vladimir Putin, um país que depende da venda dessa matéria-prima e que tem atravessado uma crise econômica desde a queda dos preços no mercado internacional. A Rússia é o maior exportador mundial de gás natural e o segundo maior de petróleo – depois da Arábia Saudita. Uma alta de preços seria uma boa notícia para Putin; antes de 2014, metade das receitas do Estado russo era proveniente do setor de óleo e gás.
Porém, quando os preços desabaram, a Rússia perdeu centenas de bilhões de dólares, uma catástrofe econômica com sérias consequências para o povo russo. Segundo o Banco Mundial, em 2015, os salários reais caíram quase 10% no país; o rublo perdeu quase 40% de seu valor e o número de pobres subiu de 3 para 19 milhões. Putin tenta manter sua imagem de homem forte, mas a crise econômica o deixa vulnerável.
Também já se falou muito sobre o vultoso acordo entre a Exxon Mobil e petroleira estatal russa Rosneft para a extração de petróleo no Ártico. Putin chegou a se gabar do montante envolvido – meio trilhão de dólares. É verdade que a negociação saiu dos trilhos com as sanções americanas à Rússia; porém, apesar da postura conflitante dos dois países em relação à Síria, é possível que Trump decida suspender as sanções e abrir caminho para a concretização do negócio, o que ajudaria a Exxon a superar seu momento difícil.
No entanto, mesmo se as sanções forem retiradas, ainda haveria outra pedra no caminho do projeto: o baixo preço do petróleo. Tillerson fechou o acordo com a Rosneft em 2011, quando o preço do barril chegou a altíssimos US$ 110. Em um primeiro momento, o consórcio faria a prospecção de petróleo nas águas ao norte da Sibéria, onde a extração seria difícil e cara. Para ser viável economicamente, o petróleo do Ártico teria que vendido a cerca de US$ 100 o barril – ou até mais caro. Portanto, mesmo se as sanções forem suspensas pelo governo Trump, o projeto da Exxon e da Rosneft só valerá a pena se o preço do petróleo estiver suficientemente alto. Consequentemente, qualquer instabilidade que empurre a cotação do petróleo para cima seria do interesse de muita gente.
Se o barril de petróleo ultrapassar a marca dos US$ 80, a corrida desenfreada para encontrar, extrair e queimar combustíveis fósseis vai recomeçar, mesmo se for preciso perfurar nossas calotas polares em derretimento ou extrair petróleo altamente poluente das areias betuminosas. Se isso acontecer, podemos acabar perdendo a nossa última chance de evitar uma catástrofe climática.
Portanto, evitar um conflito internacional e deter as mudanças climáticas são duas batalhas de uma mesma guerra..
Uma tela mostra dados financeiros no dia 22 de janeiro de 2008.
Foto: Cate Gillon/Getty Images

Choque econômico

Uma das marcas do projeto econômico de Trump tem sido o frenesi de desregulamentação financeira, o que aumenta em grande medida o risco de novos choques e desastres econômicos. O presidente americano anunciou que pretende revogar a Lei Dodd-Frank, peça fundamental da reforma financeira implementada pelo governo Obama após o colapso bancário de 2008. Embora não seja rigorosa o suficiente, a lei impede que a especulação desenfreada de Wall Street crie novas bolhas, que, quando explodem, causam novos choques econômicos.
Trump e sua equipe sabem disso, mas os lucros obtidos com as bolhas são sedutores demais para que eles se importem. Além do mais, os bancos nunca foram realmente à falência, e continuam sendo “grandes demais para quebrar”. Trump sabe que, no caso de outra grande crise, teremos outro resgate das instituições financeiras, exatamente como em 2008. O presidente chegou mesmo a decretar a revisão de um mecanismo da Lei Dodd-Frank criado para evitar que o contribuinte pague a conta de um novo resgate aos bancos. Visto a quantidade de ex-executivos do Goldman Sachs no governo Trump, isso é um péssimo sinal.
Alguns membros do governo também veem a crise econômica como uma oportunidade para atacar certos programas sociais. Durante a campanha, Trump seduziu o eleitorado com a promessa de não mexer na Seguridade Social nem no Medicare, o plano de saúde público dos EUA. Mas isso pode ser impraticável devido à grande redução de impostos que vem por aí, embora o governo aplique uma matemática fictícia para argumentar que o crescimento econômico gerado compensaria as perdas. O orçamento que foi proposto já é um primeiro ataque à Seguridade Social, e uma crise econômica poderia dar a Trump um conveniente pretexto para descumprir suas promessas. Em uma conjuntura pintada como apocalipse econômico, Betsy DeVos poderia até realizar seu sonho de substituir as escolas públicas por um sistema de escolas charter e vouchers.
A camarilha de Trump tem uma longa lista de políticas que jamais seriam aprovadas em tempos de normalidade. No início do mandato, por exemplo, Mike Pence se reuniu com o governador do Wisconsin, Scott Walker, que lhe contou como havia conseguido retirar o direito à negociação coletiva dos sindicatos do setor público no estado, em 2011. E qual foi o argumento utilizado para a aprovação da medida? A crise fiscal do governo estadual, o que levou o colunista Paul Krugman, do New York Times, a declarar que “a Doutrina do Choque está sendo aplicada de forma escancarada” no Wisconsin.
Juntando as peças do quebra-cabeça, o cenário fica claro: a barbárie econômica do governo provavelmente não será realizada no primeiro ano de mandato. Ela vai se revelar mais tarde, quando, inevitavelmente, as crises orçamentária e financeira chegarem. Só então, em nome da salvação fiscal do governo – e quem sabe da economia inteira –, a Casa Branca começará a realizar os desejos mais polêmicos das grandes corporações.
Gado pastando perto de um incêndio florestal nas cercanias de Protection, Kansas. (7 de março de 2017)
Foto: Bo RadeWichita Eagle/TNS/Getty Images

Choque ambiental

Da mesma forma que as políticas de segurança nacional e econômica do governo certamente causarão e aprofundarão crises, o foco de Trump em aumentar a produção de combustíveis fósseis, desmontar a legislação ambiental dos EUA e sabotar o Acordo de Paris abre caminho para novos acidentes industriais e futuras catástrofes climáticas. O dióxido de carbono lançado na atmosfera leva cerca de 10 anos para ter um efeito sobre o aquecimento global; portanto, as piores consequências das políticas de Trump só devem ser sentidas quando ele não estiver mais no poder.
Mesmo assim, o aquecimento global já está em um nível tão alarmante que nenhum presidente pode chegar ao fim do mandato sem enfrentar grandes desastres naturais. Donald Trump mal havia completado dois meses na função quando teve que lidar com grandes incêndios florestais no centro-oeste dos EUA. A mortandade de gado foi tão grande que um pecuarista descreveu a situação como “o nosso Furacão Katrina”.
Trump não demonstrou preocupação com os incêndios; não escreveu um tuíte sequer. Porém, quando uma supertempestade atingir o litoral do país, teremos uma reação muito diferente desse presidente que conhece o valor dos imóveis à beira-mar, despreza os pobres e investe apenas em construções para os mais abastados. A grande preocupação é com a repetição do ataque às escolas públicas e à habitação social e do vale-tudo imobiliário que se seguiram ao desastre – o que não é nada improvável, visto o papel central do vice-presidente Mike Pence na elaboração das políticas pós-Katrina.
Mas os grandes beneficiados da era Trump nessa área serão, sem dúvida, as empresas de resgate particular, direcionadas à clientela mais rica. Quando eu estava escrevendo “A Doutrina do Choque”, o setor ainda estava engatinhando, e muitas empresas não sobreviveram. Uma delas era a Help Jet, sediada na cidade queridinha de Trump, West Palm Beach. Enquanto esteve em atividade, a Help Jet ofereceu serviços de resgate VIP para quem pagasse uma taxa de associação.
Quando um furacão se aproximava, a Help Jet mandava limusines para buscar seus clientes, fazia reservas em hotéis cinco-estrelas e spas em algum lugar seguro e despachava-os em jatos particulares. “Sem fila nem multidão; apenas uma experiência de primeira classe que transforma um problema em um feriado”, dizia um dos anúncios da empresa. “Aproveite a sensação de evitar o pesadelo dos planos de evacuação em caso de furacão”, sugeria outra propaganda. Em retrospectiva, parece que a Help Jet, longe de ter superestimado o potencial desse nicho, estava apenas à frente de seu tempo. Atualmente, no Vale do Silício e em Wall Street, os mais abastados e temerosos se preparam para o caos climático e social comprando vagas em abrigos subterrâneos personalizados no Kansas – protegidos por mercenários fortemente armados – e construindo refúgios nas alturas da Nova Zelândia. E, lá, só se chega de jatinho particular, é claro.
O que é realmente preocupante nesse fenômeno da “sobrevivência de luxo” – além da esquisitice da coisa toda – é que, enquanto os ricos criam seus suntuosos refúgios particulares, há cada vez menos investimentos em infraestruturas de prevenção e resposta a desastres que possam ajudar a todos independentemente da renda. E foi exatamente isso que causou tanto sofrimento desnecessário em Nova Orleans depois da passagem do Katrina.
Os EUA estão caminhando cada vez mais rápido em direção a um sistema privado de resposta a desastres. Em estados como Califórnia e Colorado, mais suscetíveis a incêndios, empresas seguradoras oferecem um serviço especial: em caso de incêndio florestal, uma equipe de bombeiros particulares é despachada para aplicar um tratamento antichamas nas mansões dos clientes, deixando as outras à mercê do fogo.
A Califórnia nos oferece uma amostra do que ainda vem por aí. O estado emprega no combate a incêndios mais de 4.500 presidiários, que recebem 1 dólar por hora para arriscar a vida na linha de frente e cerca de 2 dólares por dia no acampamento. Segundo estimativas, a Califórnia economiza bilhões de dólares por ano graças a esse programa – um produto emblemático da mistura entre austeridade, encarceramento em massa e mudança climática..
Migrantes e refugiados se aglomeram perto do local de travessia na fronteira nas proximidades do povoado grego de Idomeni, no dia 5 de março de 2016, onde milhares de pessoas esperam para entrar na Macedônia.
Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/Getty Images

Um mundo de zonas verdes e zonas vermelhas

Com o desenvolvimento de soluções privadas para catástrofes naturais, os setores mais abastados da sociedade têm menos motivos para pressionar o governo por mudanças na política ambiental e evitar um futuro ainda mais catastrófico para a vida na Terra. Isso pode explicar por que Trump está tão determinado a acelerar a crise climática.
Por enquanto, a discussão sobre os recuos da política ambiental de Trump gira em torno de um suposto racha no governo entre os céticos – aqueles que negam as mudanças climáticas, como o próprio Trump e o chefe da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt – e aqueles que reconhecem o fator humano do aquecimento global, como Rex Tillerson e Ivanka Trump. Mas isso é irrelevante. O que todos os assessores de Trump têm em comum é a crença de que eles, seus filhos e seus pares estarão em segurança; que sua riqueza e contatos irão protegê-los do pior. Eles perderão alguns imóveis com vista para o mar, é verdade, mas isso não é nada que não possa ser substituído por uma bela mansão nas montanhas.
Essa despreocupação é uma tendência extremamente inquietante. Em uma era de desigualdade crescente, uma boa parte das nossas elites está se isolando física e psicologicamente do destino coletivo da humanidade. Esse isolacionismo, ainda que apenas mental, permite que os ricos não só ignorem a necessidade de proteger o meio ambiente, mas também se aproveitem dos desastres e do clima de instabilidade para lucrar ainda mais. Estamos indo em direção a um mundo dividido entre “zonas verdes” fortificadas para os ricos e “zonas vermelhas” para o resto. E “zonas negras” – prisões secretas – para quem não estiver satisfeito. Europa, Austrália e América do Norte estão fortificando (e privatizando) cada vez mais as fronteiras para se isolar daqueles que fogem de seus países para sobreviver. Muitas vezes, os próprios países que agora estão se fechando são em grande parte responsáveis pelas ondas de imigração, seja por meio de acordos comerciais predatórios, guerras ou desastres ambientais intensificados pelas mudanças climáticas.
De fato, se mapearmos as áreas que mais sofrem com conflitos armados atualmente – dos sangrentos campos de batalha no Afeganistão e Paquistão à Líbia, Iêmen, Somália e Iraque –, um fato nos salta aos olhos: esses são alguns dos lugares mais quentes e secos do planeta; são regiões à beira da fome e da seca, dois catalisadores de conflitos, que, por sua vez, ajudam a produzir migrantes.
E a mesma tendência a diminuir a humanidade do “outro” – tornando-nos insensíveis às vítimas civis de bombardeios em países como Iêmen e Somália – agora está sendo aplicada aos refugiados, cuja busca por segurança é vista como a invasão de um exército ameaçador. É nesse contexto que, de 2014 para cá, 13 mil pessoas que tentavam chegar à Europa morreram afogadas no Mediterrâneo, muitas delas crianças e bebês; é nesse contexto que a Austrália está tentando normalizar o encarceramento de refugiados em centros de detenção nas ilhas de Nauru e Manus, em condições classificadas por diversas organizações humanitárias como análogas à tortura. É nesse mesmo contexto que o gigantesco acampamento de refugiados de Calais, recém-desmantelado, foi apelidado de “selva” – da mesma forma que as vítimas abandonadas do Katrina foram chamadas pela mídia de direita de “animais”.
O dramático crescimento nas últimas décadas do nacionalismo de direita, do racismo, da islamofobia e do supremacismo branco em geral está intimamente ligado às novas tendências geopolíticas e ecológicas. A única maneira de justificar essas formas bárbaras de exclusão é apostando em teorias de hierarquização racial, que determinam quem merece ou não ser excluído das “zonas verdes”. É isso que está em jogo quando Trump chama os mexicanos de estupradores e “_hombres_maus”; quando os refugiados sírios são tachados de terroristas em potencial; quando a política conservadora canadense Kellie Leitch defende um teste de “valores canadenses” para imigrantes; ou quando sucessivos primeiros-ministros australianos classificam os sinistros campos de detenção como uma alternativa “humanitária” à morte no mar.
Esse é o resultado típico da instabilidade global em nações que nunca repararam os crimes do seu passado; em países que insistem em ver a escravidão e o roubo das terras indígenas como meros solavancos em uma história gloriosa. Afinal de contas, a separação entre zonas verdes e vermelhas já existia na sociedade escravocrata: os bailes na casa dos senhores aconteciam a poucos metros da tortura nos campos. E tudo isso nas terras violentamente arrancadas dos índios – terra sobre a qual a riqueza norte-americana foi construída. Agora, as mesmas teorias de hierarquia racial que justificaram tanta violência em nome do progresso estão ressurgindo à medida que a riqueza e o conforto que elas proporcionaram começa a se desgastar.
Trump é apenas uma manifestação precoce desse desgaste. Mas ele não é o único. E não será o último.
Moradores da favela da Mangueira assistem de longe aos fogos de artifício da cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016, no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. (5 de agosto de 2016)
Foto: Mario Tama/Getty Images

Uma crise de imaginação

Cidades fortificadas exclusivas para os ricos, isolados do resto do mundo em luta pela sobrevivência. É sintomático que esse seja um tema recorrente de diversos filmes de ficção científica atualmente, como Jogos Vorazes, em que o decadente Capitólio enfrenta as colônias desesperadas; e Elysium, em que uma elite vive em uma estação espacial acima de uma enorme e violenta favela. Esta é uma visão entranhada na mitologia das grandes religiões ocidentais, com suas épicas narrativas sobre dilúvios purificadores e um pequeno grupo de eleitos; histórias de infiéis ardendo em chamas enquanto os justos se refugiam em uma cidade fortificada nos céus. A dicotomia entre vencedores e condenados está tão presente no nosso imaginário coletivo que é um verdadeiro desafio pensar em outros finais para a narrativa da humanidade; um final em que a raça humana se una em um momento de crise em vez de se separar; um final em as fronteiras sejam derrubadas em vez de multiplicadas.
Afinal de contas, o objetivo de toda essa tradição narrativa nunca foi simplesmente descrever o que inevitavelmente acontecerá com a humanidade. Não, essas histórias são um aviso, uma tentativa de abrir os nossos olhos para que possamos evitar o pior.
“Nós temos a capacidade de dar ao mundo um novo começo”, disse Thomas Paine muitos anos atrás, resumindo em poucas palavras o desejo de fugir de um passado que está no cerne tanto do colonialismo quanto do “sonho americano”. Porém, a verdade é que nós _não temos_esse poder divino de reinvenção; nunca o tivemos. Temos que conviver com nossos erros e problemas, bem como respeitar os limites do nosso planeta.
Mas o que nós temos é a capacidade de mudar, de reparar velhas injustiças e a nossa relação com o próximo e com o planeta em que vivemos. Essa é a base da resistência à Doutrina do Choque.
Adaptado do novo livro da Naomi Klein, _No Is Not Enough: Resisting Trump’s Shock Politics and Winning the World We Need. _O livro será publicado em novembro de 2017 pela Bertrand Brasil. Foto do topo: Bombeiros do Kansas e de Oklahoma lutam contra um incêndio perto de Protection, no Kansas. (6 de março de 2017)
Tradução: Bernardo Tonasse
The post O pior da agenda tóxica de Donald Trump só será desencadeado com uma grande crise nos EUA appeared first on The Intercept.
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2015.12.14 20:34 oldtombombadil National Media says....

Host: Diamondbacks, wow what a rotation. Greinke, $200 million. Miller for all that package. DAE worst trade ever?
Talking head one: Inciarte is good and can be a center fielder! He can lead-off and is a great fielder! They're crazy to trade him!
Talking head two: Aaron Blair can be a major league pitcher! In three years he might even be a #3! They're crazy to trade a pitching prospect!
Talking head one, now foaming at the mouth: Dansby Swanson was drafted first! You can't trade him! This team is crazy to trade a shortstop prospect like that! Prospects are too valuable, Dansby Swanson will be the Nomar of 2021!
To hell with that! The time is now, and even our new ace knows!
Greinke, known for being a student of the game, had even specified to Close (his agent) certain aspects of the D-backs’ game that appealed to him – the way they shifted, the way they ran the bases.
“I’m telling you, they’re an ace away from being legitimate,” Greinke told Close, according to Hall. “I think I can help.”
I just want to defend the trade here because I'm tired of seeing folks crap on it without much perspective from AZ. Greinke knew this team was good in most aspects of the game except starting pitching. He became the ace to add legitimacy. Miller became the arm that turned the rotation into a strength. To call the trade a win now move is disingenuous, its a win now, 2017, and 2018 trade. The line-up is mostly settled through that 2018 season and the rotation is now sured through then at least. Besides Greinke the arms are young and capable of taking steps forward, especially now that a veteran leader like Greinke can teach them a thing or two about pitching.
The overreaction to this Miller trade has been out of proportion. National media folks or folks in other markets might look at the trade to see numbers and words like #1 overall draft choice, top pitching prospect, or MLB ready talent. Those words all carry a lot of weight and potential, but Shelby Miller brings two words with lots of weight and achievement: All-Star. The pieces to get him were expendable and worth moving.
Inciarte is good and will be missed, but outfield was jammed. He or Peralta had to go. Ender is a great fielder capable of playing center and leading off, too bad the Diamondbacks already have one of those players. AJ Pollock is a top 3 centerfielder better than Ender no doubt. Yasmany Tomás is being paid too much to not have the chance to be an everyday player. Hopefully this could be the breakout year for Tomás and he will find a power stroke. Peralta and Inciarte are just about equal. They have different skills with Ender being more a glove and speed oriented player. However, players in the farm like Socrates Brito have similar skills to Ender than Peralta, so Ender becomes expendable.
Moving Blair is easier to write off. The farm system has depth in quality arms. The team values Shipley more and the fans are emotionally invested in Bradley, so Blair was the most expendable. Also, there is depth in the prospect pipeline with Lopez, Young, Huang, and Reed. Blair's upside is nowhere near Miller's. Blair turns 24 this season. Miller pitched in an allstar game at 24 last year. Blair was the best piece of pitching to move.
Trading Swanson hurts the most. He was an advanced hitter in college and would have risen through the system quickly. That meant he'd run into the logjam already in place up the middle with Owings, Drury, and Ahmed. Let's say the Swanson has a future as an SS. His hitting would be better than Ahmed, but Ahmed is such a defensive wizard that the Diamondbacks are going to be building around that glove. So now its 2nd base for Swanson, but the team already has 2 young players there. Clearly, the team believes Drury can become a reliable contact hitter and Owings will bounce back from his nagging shoulder injury. These players are both still young and closer to peaking during the championship window. Plus, there is depth beyond at the lower levels in players like Domingo Leyba, Sergio Alcantara, and Jack Reinheimer. Swanson was a big chip to play, but I think in getting an All-star pitcher with room to improve the Diamondbacks did well to cash in now.
I really like seeing Dodgers fans talk about how the team has no long term commitments and will break the bank in 2018 on the Machado, Harper, Harvey free agent class. That's great, please wait until then because Arizona is all in right now. These next few years are focused on getting as much or preferably more winning done than 99-02. TLR is making moves to hang pennants now, but keep the farm healthy enough to be respectable going forwards. I will be very happy if La Russa can send this team down the same path as the Cardinals where there is a strong foundation for success going forward and championship expectations are not only realistic, but the norm.
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2015.12.03 09:44 Antistene Caos di guerra

Turchia/Isis.La Turchia apripista, verso un fronte di guerra peggiore
Stiamo facendo tutti finta di non vedere quel che sta per accadere in Siria: una guerra di ancora più vaste proporzioni che va ad aggiungersi a quella in corso che l’Occidente ha alimentato sostenendo radicalismi armati di ogni genere purché fossero contro Assad. Sarà un caos belli così devastante che l’abbattimento del jet russo da parte dell’aviazione turca — vero apripista di questo scenario caotico e micidiale — sembra un piccolo incidente di passaggio.
Dopo gli attentati di Parigi, la Francia dello stato d’emergenza ha avviato la sua guerra di vendetta contro lo Stato islamico, ma alla fine pronta a coordinare le azioni militari con la Russia già sul campo. Perché l’aviaziona russa era nel frattempo intervenuta di fronte alla débâcle del fronte occidentale, quella coalizione degli «Amici della Siria» — dagli Usa, ai Paesi europei alle petromonarchie del Golfo — impossibilitata a sbrogliare la matassa siriana dopo averla imbrogliata fino alla distruzione attuale. La risposta all’intervento russo non si è fatta attendere, con la bomba sull’aereo civile da parte dell’Isis e con l’abbattimento del jet militare Sukhoi da parte dell’aviazione di Ankara, grande sponsor dell’Isis. L’intervento militare anti-russo del Sultano atlantico Erdogan è stato indirizzato a far fallire ogni possibilità di essere esclusi dalla spartizione della Siria e dalle mire contro l’Iran. E quindi contro i risultati «unitari» del vertice di Antalya che, proprio in Turchia, aveva visto il riavvicinamento tra Putin e Obama.
La china presa dai nuovi annunci d’intervento armato nell’area, è un precipizio che sembra premiare proprio l’intraprendenza criminale di Erdogan, non a caso baluardo Nato. Accade così che la Gran Bretagna, nonostante i pacifisti e la volontà del leader laburista Corbyn, sia avviato verso i bombardamenti e già la Raf scalda i motori nella base britannica di Akrotiri a Cipro; che il segretario alla difesa Usa Carter annunci «stivali a terra» in Iraq, per operazioni mirate e addirittura in Siria per «operazioni unilaterali».
Accade che Netanyahu riveli che raid e operazioni coperte israeliane siano ormai in corso in territorio siriano; che arrivino truppe e aerei tedeschi fuori da ogni logica di legittimità dopo il passato della Germania ora riunificata; e che Federica Mogherini Mister Pesc cerchi un nuovo bis: mentre Renzi dichiara di non volere una «Libia bis», la rappresentante Ue chiama a responsabilità, per Siria e Libia, la Nato, cioè la protagonista dei raid che, con l’abbattimento di Gheddafi, hanno aperto il varco ai jihadisti e ai loro santuari verso Siria, Tunisia, Iraq e Mali. Si allarga dunque la scena bombardante, dei paesi che corrono alla spartizione della terra siriana e ad un ipotetico quanto lontano tavolo dei negoziati, pronti a gridare «vittoria»: ma chi avrà diritto a sedersi al tavolo dei vincitori, davvero non è chiaro.
Chiaro è che Damasco fa sapere che ogni azione militare, su terra e dal cielo, che non sia concordata — come quelle russa e francese — con il governo siriano è considerata «aggressione»: e si riferisce al ruolo dell’esercito di Ankara, a quello britannico e degli Stati uniti, per non parlare dei raid israeliani. La guerra dunque si allarga ancora di più. Mentre Obama ripete — come una litania — «Assad se ne deve andare», dimenticando che proprio per mandare via Assad la sua coalizione dal 2012 a alla fine del 2014, quando gli Usa si sono «ravveduti», ha sostenuto proprio il nemico jihadista. È certo e sicuro che Assad dovrà uscire di scena, probabilmente nell’arco di un anno; la Russia dice che deve decidere il suo popolo. Ma ora non a caso proprio la Francia con il ministro degli esteri Fabius sembra legittimare «con l’esercito libero siriano» anche l’«esercito di Damasco» come le vere truppe di terra da valorizzare.
Mentre Obama pronuncia la cantilena «Assad se ne deve andare», invece sostiene Erdogan e il suo spazio aereo: il Sultano che massacra il suo popolo kurdo, che fa strage dell’opposizione e stralcia i diritti umani arrestando giornalisti che denunciano i traffici sporchi di Ankara con l’Isis. No Erdogan non solo non se ne deve andare, ma l’Ue gli regala 3 miliardi di euro per recintare e arrestare migranti, mentre il vertice Nato è corso in suo aiuto contro l’«aggressività russa nell’area». E mentre «Assad se ne deve andare», la monarchia saudita, santuario finanziario e in armi dello Stato islamico, va invece tenuta naturalmente e saldamente al suo posto.
Il circo di menzogne fa davvero paura. Ma siamo «tranquillizzati» finalmente dal ministro Angelino Alfano: scopriamo infatti i foreign fighters, ora li snidiamo e li arrestiamo. Erano 20mila dall’Europa e altrettanti dagli Usa, denunciava Obama un anno fa. Ma nessuno si è chiesto com’è stato possibile che decine di migliaia di giovani siano partiti dalle capitali europee ( e dalel città americane) e poi arrivati in Medio Oriente quando non direttamente in Turchia per essere addestrati, senza che una sola intelligence occidentale avesse da dire nulla negli ultimi quattro anni? Adesso «li scoprono». E prima? Prima chiudevamo tutti e due gli occhi, perché «Assad se ne deve andare». E così in questi giorni «scopriamo» le cellule islamico-kosovare in Italia e, dice il procuratore di Pristina, che «300 combattenti kosovari sono partiti per la Siria». È davvero una «bella» scoperta, per una «nazione», il Kosovo, che vive intorno — come la caramella col buco — alla mega-base Usa e Nato di Camp Bondsteel presso Urosevac, una «nazione» ora etnicamente ripulita con un milione e 700mila abitanti, grande quanto il Molise e inventata dai bombardamenti Nato del 1999, considerata un narcostato dall’Onu e con il 50% di disoccupazione nonostante finanziamenti in percentuale superiori a quelli degli organismi internazionali verso l’Africa. E dove non si muove foglia che l’Alleanza atlantica non voglia e non sappia: davvero una «rivelazione».
Ma forse qualcosa deve essere sfuggita anche alla Nato, se ieri per allargare l’orizzonte, ha chiesto anche al Montenegro di entrare nell’Alleanza atlantica che si allarga sempre più a est. Abbiamo creato deserti che chiamiamo pace. E la guerra ci ritorna in casa.
il manifesto
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